BIG CHOP

Fotos por Leonardo Coelho para Groundtruth Project

Rosana Mendes (left) takes a peek at a Brazilian Vogue with her associate, Luana Bartholomeu. They created Nzinga Afro Fashion, a small fashion company which focuses on afro-brazilian style, with roots in Angolan fashion. On the subject of being represented by major labels, Rosana is direct in saying that, "if it does not represent me, I will not buy it."

Política, beleza, sororidade, amizade, comunidade negra. Essas são palavras-chave para entender o grande corte que afro-brasileiras estão fazendo no país conhecido por suas injustiças e preconceitos maquiados. Do rap ao entretenimento, mulheres e homens negros estão tentando repensar e refazer os meios pelo qual a negritude é exposta, vista e interpretada na sociedade brasileria. Esse grande corte, BIG CHOP em inglês, é o ato de cortar fora todo o cabelo quimicamente alisado, deixando apenas o cabelo natural. É visto hoje como uma ação política que muitos fazem com a finalidade de impor novos parâmetros de beleza. Dois eventos recentes demonstraram isso.

A rapper Yasmin Werneck, 24, faz um último ensaio antes de entrar ao vivo. Apesar dela afirmar ser negligente com sua aparência, Yas muda seu cabelo vez ou outra. “Eu detestava alisar meu cabelo quando mais nova, então tomei um caminho mais natural.”

Yas mostra as tranças com seus nomes pouco antes de subir ao palco para o lançamento de seu EP, chamado Hexagonal. Essa é a volta de Yas após anos de pausa. “Eu ainda procurava o ritmo e a produtora certa para mim.”

The Big Chop came for Thaiane Yasmin after 8 or 9 months of trying to make the transition between chemically processed hair to natural hair. "My hair became lifeless. A hybrid of straight and curly". She then decided it was time to make the Big Chop, encouraged by friends like Yas. Now, she feels like she accepts her hair.

O segundo evento se chamava Encrespando, e foi organizado pelo coletivo Meninas Black Power. Composto por 8 afro brasileiras, eles trazem a tona importantes questões da comunidade negra através de palestras públicas, eventos públicos e, no geral, apoiando que mulheres negras mantenham seu afro em uma sociedade que as ensina a esconder sua identidade.

Luciane Dom posa ao lado de uma boneca artesanal feita pelo casal Leandro e Jaciana. O objetivo desses empreendedores é criar bonecas que possam representar os negros e negras do Brasil.

Matias, 5 anos, usa a capa “Super Black Power”. Essa e outros bonecos e brinquedos afro-centrados fazem parte da companhia criada por seus pais, Leandro e Jaciana Melquiades.

Luciane has a song called "quanto pesa" (how much it weights) that was inspired by a racist episode she experienced. "An older men started laughing wildly at my hair during the Carnival. I used my compositions and music to try to heal and discuss racism"

Jessyca, 22, é produtora e uma das Meninas Black Power. “Essa tattoo ajuda a trazer a tona minha ancestralidade” A tinta, segundo Jessyca, representa Nãnã, uma velha deusa orixá que representa experiência

A cantora Luciane Dom e seu namorado, o baterista Davidson, mostram seu afeto durante o evento das Meninas Black Power. Luciane acredita que ainda há um estigma contra casais negros no Brasil, e cita um caso. ” Uma vez eu ouvi que eu deveria casar com um homem branco para ‘melhorar’ o cabelo da minha futura prole”

A Rede de Comunidade contra a Violência é um movimento social independente originário das comunidades cariocas para lidar com problemas cotidianos de violência na cidade, que acontecem quase sempre nas favelas. As mães de jovens negros mortos de forma violenta pela polícia formam uma forte voz nas lutas por direitos humanos no Rio de Janeiro. Junto a ONGs como Human Rights Watch e Anistia Internacional, elas formam as vozes dos esquecidos e silenciados, sejam eles seus filhos ou não

Marielle Franco é uma recém-eleita representante dos cidadãos no Rio de Janeiro pela Câmara Municipal. Ela é uma mãe solteira e negra que morou a maior parte de sua vida em comunidades. Apesar do seu perfil ser maioria no Rio de Janeiro, é raro ver representantes políticas negras no Brasil.